Rúbia no País da Educação
"Ai de nós, educadores e educadoras, se deixarmos de sonhar sonhos possíveis". (Paulo Freire)
Um Convite
Venha sonhar comigo no País das Maravilhas da Educação...
8 de agosto de 2012
6 de março de 2012
22 de fevereiro de 2012
12 de fevereiro de 2012
11 de fevereiro de 2012
1 de fevereiro de 2012
Investimento no Professor
Investimento no professorPublicação da revista Educação, edição 178, fev 2012.
Diretor do Instituto Nacional de Educação de Cingapura aponta valorização docente como uma das ações responsáveis pela melhoria da qualidade do ensino em seu país
Até 1965, ano em que Cingapura, um pequeno país localizado no sudeste da Ásia, deixou de ser colônia britânica, nada foi feito em prol da educação. Pelo contrário: a população amargava índices altos de analfabetismo e desemprego. Em 46 anos, o cenário mudou. O sistema de ensino de Cingapura é conhecido hoje como um dos melhores no mundo. Entre os países que participaram do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) em 2009, Cingapura está em quinto lugar em leitura, segundo lugar em matemática e quarto lugar em ciências. Para avançar na qualidade de ensino, o país investiu fortemente na capacitação de professores, que é realizada pelo Instituto Nacional de Educação de Cingapura, órgão ligado ao Ministério da Educação. Sob o comando de Lee Sing Kong, 57 anos, o Instituto treina professores para ensinar estudantes desde o ensino fundamental até o ensino médio. Em entrevista concedida à editoraBeatriz Rey , Lee, que é horticultor e professor de Ciências Biológicas da Universidade Tecnológica de Nanyang, conta a história da reforma educacional e explica como são estruturados os cursos de formação. Além disso, defende a necessidade de recrutar docentes que dominem as disciplinas que lecionam. "Como um professor de matemática pode ensinar a disciplina sem conhecê-la?", questiona. O diretor esteve em São Paulo por ocasião do evento "Escola de Alto Desempenho - II Seminário Internacional de Práticas Inovadoras para a Educação", promovido em abril pela Vitae Futurekids - Planeta Educação.
O sr. poderia nos contar sobre a reforma educacional realizada em seu país?
Somos uma nação jovem sem muitos recursos naturais. Nosso único capital é o humano. Em 1965, a taxa de alfabetização era muito baixa e o índice de desemprego, muito grande. Naquele momento, a prioridade era a alfabetização, porque as pessoas precisavam adquirir habilidades para serem contratadas. Na primeira fase da reforma (1965-1979), nós estávamos tentando sobreviver como nação. Já na década de 80, era preciso fazer com que o país crescesse. Por isso, decidimos convidar empresas internacionais para que investissem em Cingapura. Foi uma fase altamente industrializada. Nesse período, a demanda não era só por pessoas alfabetizadas, mas que também dominassem conhecimentos e habilidades técnicas. Entretanto, precisávamos resolver outro problema, já identificado nos anos 60: a alta taxa de evasão. Descobrimos que mais de 10% dos alunos não completavam dez anos de escolaridade. Como a população é pequena, o percentual é considerável. Percebemos, então, que os alunos tinham ritmos diferentes de estudo. Se você coloca todos na mesma sala, os mais lentos ficam desmotivados e acabam deixando a escola. Optamos por encaminhar os estudantes a grupos diferentes. Aqueles que são muito bons seguem para escolas tradicionais, com programas mais autônomos. Os alunos mais lentos são designados para escolas específicas, onde podem ser beneficiados com um currículo mais customizado e cuja base são atividades práticas. Essa estrutura foi adaptada a todas as etapas educacionais.
Mas não se cria um estigma com essa separação?
As pessoas pensavam que seria o caso. Na realidade, a divisão dá ao professor a chance de adotar tipos diferentes de ensino. Os mais rápidos podem seguir num ritmo normal. Para os mais lentos, oferecemos atividades específicas. Não há um estímulo apenas intelectual, mas também da prática, porque eles aprendem quando fazem. Um exemplo: o professor desse tipo de escola descobre que um grupo de alunos adora andar de esqui. Se ele diz que a velocidade é o tempo sobre o espaço, os estudantes entendem o que ele quer dizer. O docente, então, os leva para andar de esqui e pede a eles que meçam a distância e o tempo que andaram. Por fim, explica o conceito de velocidade. O fato de eles terem participado da experiência faz com que aprendam. Não são alunos que não podem aprender. Eles podem, mas precisam de atividades diferenciadas. A política de estabelecer diferentes "fluxos" de ensino fez com que a taxa de evasão caísse para quase zero.
E qual é a terceira fase da reforma?
O mundo mudou de uma economia de base industrial para uma economia cuja base é o conhecimento. Nesse novo cenário, a aplicação do conhecimento pode gerar valor. O governo passou a olhar para o potencial de cada criança. De 1996 até hoje, temos a educação voltada para as habilidades, ou seja, identificamos e desenvolvemos as habilidades de cada criança. Há um incentivo para que elas pensem, sejam curiosas e tenham oportunidades de mostrar seus talentos. Se o aluno é muito bom em artes, haverá aulas da disciplina disponíveis para ele, além do currículo básico. Os alunos são estimulados a sair do processo de aquisição do conhecimento para o de inovação.
Um dos pilares da reforma foi a instituição do respeito social ao docente. Como ele foi construído?
Na Finlândia e na Coreia, esse respeito é cultural. Naqueles países, a sociedade tem essa postura porque acredita que os professores são pessoas honradas e importantes para o desenvolvimento da criança. Como Cingapura é uma nação recente, o respeito não era grande no começo dos anos 90. A docência era uma das profissões menos escolhidas por quem se formava no ensino médio. O governo imediatamente reconheceu que a educação não alcançaria progressos sem bons professores nas salas de aula. Era necessário atrair os melhores candidatos e dar a eles formação mais consistente. Para começar, o salário do professor iniciante foi equiparado ao de engenheiros e contadores em começo de carreira.
Quanto ganha um professor iniciante?
O valor não faz diferença. É a mensagem que importa: ser professor é tão importante quanto ser engenheiro. O segundo passo foi investir na carreira docente. Hoje, há quatro etapas de carreira para o professor que leciona em sala de aula: inicial, sênior, líder e master . O master pode ganhar tanto quanto um vice-diretor. O governo também identificou que há professores bons em desenho de currículo e avaliações. Agora, eles podem ser promovidos para atuar nessas áreas. Além disso, os professores que têm talento podem ser diretores ou vice-diretores. O último passo para criar o respeito foi esclarecer o significado da profissão porque a sociedade não entendia o que um professor fazia. Sabíamos que ele acordava, dava aula e voltava para casa. Nós definimos seu papel e contribuição social, que se resumem em uma frase: o professor molda o futuro da nação, porque as crianças são justamente o futuro do país. Quão mais nobre uma profissão pode ser? Mas também era preciso fazer com que as pessoas soubessem mais sobre o trabalho deles. Passamos a divulgar mais pesquisas e relatórios para a imprensa. O objetivo era fazer com que esses profissionais fossem vistos com bons olhos. Por exemplo: se nossos professores produzem um novo modelo de ensino para crianças com necessidades especiais, enviamos material sobre isso à mídia. Há dois anos, foi feita uma pesquisa com a população para descobrir qual profissão contribuía mais com a construção da nação - a docência foi eleita a primeira. Além disso, o número de candidatos por vaga no Instituto Nacional de Educação de Cingapura aumentou. Em 1991, tínhamos 6 vagas para 4 candidatos. Nesse ano, tenho uma vaga para 5 candidatos.
Vocês utilizaram a política de bonificação por desempenho para melhorar a carreira docente?
Não há por que usar a bonificação por desempenho ou o ranking. Se você olhar os melhores sistemas educacionais do mundo (a consultoria McKinsey já fez isso) e questionar os fatores que causaram esse sucesso, chegará a três conclusões. Em primeiro lugar, a qualificação de professores e diretores é alta. A qualidade do sistema educacional não pode exceder a de seus professores. A segunda conclusão é o impacto do ensino em sala de aula - se o professor ensina bem, o desempenho dos alunos será bom. Por último, é preciso estabelecer os objetivos educacionais em questão. Se você quiser iniciar uma viagem, precisa saber para onde está indo. O aluno deve ter clareza sobre aonde a educação o levará. Mas eu diria que a chave é ter bons professores e diretores - são eles os responsáveis pelo funcionamento de toda a rede.
Quais os caminhos para quem deseja ser professor em Cingapura?
Um aluno do ensino médio que ainda não se decidiu pela carreira docente vai à universidade e escolhe uma área para estudar, como biologia. Caso ele posteriormente opte pela docência, deve se candidatar a uma vaga no Instituto Nacional de Educação de Cingapura. O processo seletivo envolve dois critérios: aptidão e demanda. Os candidatos participam de entrevistas com educadores experientes, que os questionam: você gosta de interagir com crianças? Por que você escolheu ser um professor? Além disso, levamos em consideração as diferentes demandas das escolas. Se há maior necessidade por professores de matemática, essa é a preferência. Os selecionados participam de um treinamento de um ano no Instituto. Se um aluno do ensino médio já decidiu que quer ser professor logo no início, ele participa de um processo de seleção no mesmo órgão. Será analisado em quais disciplinas o aluno teve as melhores notas, para que ele já seja direcionado a uma área em que pode lecionar futuramente. O curso dura quatro anos e dá um diploma de bacharelado em educação.
Como o currículo do bacharelado em educação é construído?
Nosso modelo de ensino é chamado de "modelo VHC". O "V" é para valores, o "H" é para habilidades e o "C", conhecimento. Um dos valores que incutimos nos professores durante a formação é: "eu acredito que toda criança pode aprender". Com essa perspectiva, o docente não vai negligenciar aqueles que demoram em aprender. Pelo contrário: vai buscar uma abordagem pedagógica diferente, que se encaixe com o perfil deles. Da mesma maneira, o aluno no Instituto é equipado com diversas metodologias de ensino, inclusive as habilidades tecnológicas, para que eles usem a tecnologia no momento certo. A ideia é que ele chegue à escola, encontre um perfil específico de aluno e saiba o que fazer. O docente também precisa dominar seu objeto de ensino. Como um professor de matemática pode ensinar a disciplina sem conhecê-la? Então, há aulas para as disciplinas específicas. Há um outro componente no currículo chamado de "estudos educacionais", que trata de psicologia e educação. O objetivo é ajudar os futuros docentes a entender os perfis diferentes de alunos. Por último, há a prática, feita em parceria com as escolas. Se um aluno passa um ano conosco, será obrigado a ficar dez semanas dentro de sala de aula.
Por que isso é tão importante?
É preciso fazer um balanço entre teoria e prática. Isto é, se você tem todas as teorias, sabe os porquês, mas não sabe como trabalhar. Nas escolas, os professores mais experientes supervisionam aqueles que estão em período de aprendizagem. Quando um estagiário ensina de uma maneira inadequada, o mais experiente o orientará. É dessa maneira que formamos um professor confiante. Quando ele entrar em uma escola, a sala de aula não será nova para ele.
Qual a postura do governo em relação aos professores considerados ineficientes?
Se você leciona em uma de nossas escolas, é avaliado pelo diretor e por departamentos responsáveis. Essa avaliação não é feita com base em um teste; há uma série de critérios, como o nível de formação. O Ministério oferece diversas oportunidades de desenvolvimento. Se em três anos o professor não apresentar melhoras, é melhor que se vá. Ele é demitido.
29 de janeiro de 2012
25 de janeiro de 2012
18 de janeiro de 2012
26 de novembro de 2011
6 de outubro de 2011
27 de agosto de 2011
21 de junho de 2011
20 de junho de 2011
Educação em foco
Professora responde à REVISTA VEJA.... vale a pena dar uma olhada!
Boa leitura!
Não gosto de comparar épocas, mas quando penso na minha infância, onde pai e mãe, tios e avós estavam presentes e onde era inadmissível faltar com o respeito aos mais velhos, quanto mais aos professores e não cumprir as obrigações fossem escolares ou simplesmente caseiras, faço comparações com os alunos de hoje “repletos de estímulos”. Estímulos de quê? De passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar em frente ao computador, alguns até altas horas da noite, (quando o têm), brincando no Orkut, ou o que é ainda pior envolvidos nas drogas. Sem disciplina seguem perdidos na vida. Realmente, nada está bom. Porque o que essas crianças e jovens procuram é amor, atenção, orientação e disciplina. Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos, há uns anos atrás de estímulos? Simplesmente: responsabilidade, esperança, alegria. Esperança que se estudássemos teríamos uma profissão, seríamos realizados na vida. Hoje os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais. Para quê o estudo? Por que numa época com tantos estímulos não vemos olhos brilhantes nos jovens? Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção de somente brincar com os amigos, de ir aos piqueniques, subir em árvores? E, nas aulas, havia respeito, amor pela pátria.. Cantávamos o hino nacional diariamente, tínhamos aulas “chatas” só na lousa e sabíamos ler, escrever e fazer contas com fluência. Se não soubéssemos não iríamos para a 5ª. Série. Precisávamos passar pelo terrível, mas eficiente, exame de admissão. E tínhamos motivação para isso. Hoje, professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam filmes, trabalham com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil para leitura em sala-de-aula (o que às vezes resulta em uma revolução), levam alunos à biblioteca e a outros locais educativos (benza, Deus, só os mais corajosos!) e, algumas escolas públicas onde a renda dos pais comporta, até a passeios interessantes, planejados minuciosamente, como ir ao Beto Carrero. E, mesmo, assim, a indisciplina está presente, nada está bom. Além disso, esses mesmos professores “incapazes”, elaboram atividades escolares como provas, planejamentos, correções nos fins-de-semana, tudo sem remuneração; Todos os profissionais têm direito a um intervalo que não é cronometrado quando estão cansados. Professores têm 10 minutos de intervalo, quando têm de escolher entre ir ao banheiro ou tomar às pressas o cafezinho. Todos os profissionais têm direito ao vale alimentação, professor tem que se sujeitar a um lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40 h.semanais. E a saúde? É a única profissão que conheço que embora apresente atestado médico tem que repor as aulas. Plano de saúde? Muito precário. Há de se pensar, então, que são bem remunerados... Mera ilusão! Por isso, cada vez vemos menos profissionais nessa área, só permanecem os que realmente gostam de ensinar, os que estão aposentando-se e estão perplexos com as mudanças havidas no ensino nos últimos tempos e os que aguardam uma chance de “cair fora”.Todos devem ter vocação para Madre Teresa de Calcutá, porque por mais que esforcem-se em ministrar boas aulas, ainda ouvem alunos chamá-los de “vaca”,”puta”, “gordos “, “velhos” entre outras coisas. Como isso é motivante e temos ainda que ter forças para motivar. Mas, ainda não é tão grave. Temos notícias, dia-a-dia, até de agressões a professores por alunos. Futuramente, esses mesmos alunos, talvez agridam seus pais e familiares. Lembro de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de Moura Castro, que dizia que um país sucumbe quando o grau de incivilidade de seus cidadãos ultrapassa um certo limite. E acho que esse grau já ultrapassou. Chega de passar alunos que não merecem. Assim, nunca vão saber porque devem estudar e comportar-se na sala de aula; se passam sem estudar mesmo, diante de tantas chances, e com indisciplina... E isso é um crime! Vão passando série após série, e não sabem escrever nem fazer contas simples. Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na cabeça. Ela é cruel e eles já são adultos. Por que os alunos do Japão estudam? Por que há cronômetros? Os professores são mais capacitados? Talvez, mas o mais importante é porque há disciplina. E é isso que precisamos e não de cronômetros. Lembrando: o professor estadual só percorre sua íngreme carreira mediante cursos, capacitações que são realizadas, preferencialmente aos sábados. Portanto, a grande maioria dos professores está constantemente estudando e aprimorando-se. Em vez de cronômetros, precisamos de carteiras escolares, livros, materiais, quadras-esportivas cobertas (um luxo para a grande maioria de nossas escolas), e de lousas, sim, em melhores condições e em maior quantidade.. Existem muitos colégios nesse Brasil afora que nem cadeiras possuem para os alunos sentarem. E é essa a nossa realidade! E, precisamos, também, urgentemente de educação para que tudo que for fornecido ao aluno não seja destruído por ele mesmo Em plena era digital, os professores ainda são obrigados a preencher os tais livros de chamada, à mão: sem erros, nem borrões (ô, coisa arcaica!), e ainda assim se ouve falar em cronômetros. Francamente!!! Passou da hora de todos abrirem os olhos e fazerem algo para evitar uma calamidade no país, futuramente. Os professores não são culpados de uma sociedade incivilizada e de banditismo, e finalmente, se os professores até agora não responderam a todas as acusações de serem despreparados e “incapazes” de prender a atenção do aluno com aulas motivadoras é porque não tiveram TEMPO. Responder a essa reportagem custou-me metade do meu domingo, e duas turmas sem as provas corrigidas. |
♥ Rúbia ♥
17 de junho de 2011
29 de maio de 2011
28 de maio de 2011
23 de maio de 2011
Alguns materiais de estudo do Portal do Professor
link para o Portal do Professor
Acesse materiais temáticos, módulos de auto-aprendizagem, proposições de ensino, parâmetros e referenciais, recursos em diversos formatos para fundamentação e enriquecimento da prática docente.3 de maio de 2011
26 de abril de 2011
5 de abril de 2011
24 de março de 2011
Boa aula de história ...
Samba do Crioulo Doido
Demônios da Garoa -Composição: Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto)
Onde nasceu JK
Que a Princesa Leopoldina
Arresolveu se casá
Mas Chica da Silva
Tinha outros pretendentes
E obrigou a princesa
A se casar com Tiradentes
Lá iá lá iá lá ia
O bode que deu vou te contar
Lá iá lá iá lá iá
O bode que deu vou te contar
Joaquim José
Que também é
Da Silva Xavier
Queria ser dono do mundo
E se elegeu Pedro II
Das estradas de Minas
Seguiu pra São Paulo
E falou com Anchieta
O vigário dos índios
Aliou-se a Dom Pedro
E acabou com a falseta
Da união deles dois
Ficou resolvida a questão
E foi proclamada a escravidão
E foi proclamada a escravidão
Assim se conta essa história
Que é dos dois a maior glória
Da. Leopoldina virou trem
E D. Pedro é uma estação também
O, ô , ô, ô, ô, ô
O trem tá atrasado ou já passou
23 de março de 2011
Meu Querido Rubem Alves - O ALUNO PERFEITO -
O ALUNO PERFEITO
Rubem Alves é educador, escritor e colunista da "Folha de SP", onde publicou este texto:
Era uma vez um jovem casal que estava muito feliz. Ela estava grávida, e
eles esperavam com grande ansiedade o filho que iria nascer.
Transcorridos os nove meses de gravidez, ele nasceu. Ela deu à luz um lindo
computador! Que felicidade ter um computador como filho! Era o filho que
desejavam ter! Por isso eles haviam rezado muito, durante toda a gravidez,
chegando mesmo a fazer promessas.
O batizado foi uma festança. Deram-lhe o nome de Memorioso, porque julgavam
que uma memória perfeita é o essencial para uma boa educação. Educação é
memorização. Crianças com memória perfeita vão bem na escola e não têm
problemas para passar no vestibular.
E foi isso mesmo que aconteceu. Memorioso memorizava tudo que os
professores
ensinavam. Mas tudo mesmo. E não reclamava. Seus companheiros reclamavam,
diziam que aquelas coisas que lhes eram ensinadas não faziam sentido. Suas
inteligências recusavam-se a aprender. Tiravam notas ruins. Ficavam de
recuperação.
Isso não acontecia com Memorioso. Ele memorizava com a mesma facilidade a
maneira de extrair raiz quadrada, reações químicas, fórmulas de física,
acidentes geográficos, populações de países longínquos, datas de eventos
históricos, nomes de reis, imperadores, revolucionários, santos,
escritores,
descobridores, cientistas, palavras novas, regras de gramática, livros
inteiros, línguas estrangeiras. Sabia de cor todas as informações sobre o
mundo cultural.
A memória de Memorioso era igual à do personagem do Jorge Luis Borges de
nome Funes. Só tirava dez, o que era motivo de grande orgulho para os seus
pais.
E os outros casais, pais e mães dos colegas de Memorioso, morriam de
inveja.
Quando filhos chegavam em casa trazendo boletins com notas em vermelho eles
gritavam: "por que você não é como o Memorioso?"
Memorioso foi o primeiro no vestibular. O cursinho que ele freqüentara
publicou sua fotografia em outdoors. Apareceu na televisão como exemplo a
ser seguido por todos os jovens.
Na universidade, foi a mesma coisa. Só tirava dez. Chegou, finalmente, o
dia
tão esperado: a formatura. Memorioso foi o grande herói, elogiado pelos
professores. Ganhou medalhas e mesmo uma bolsa para doutoramento no MIT.
Depois da cerimônia acadêmica foi a festa. E estavam todos felizes no
jantar
quando uma moça se aproximou de Memorioso e se apresentou: "Sou repórter.
Posso lhe fazer uma pergunta?" "Pode fazer", disse Memorioso confiante. Sua
memória continha todas as respostas.
Aí ela falou: "De tudo o que você memorizou qual foi aquilo que você mais
amou? Que mais prazer lhe deu?"
Memorioso ficou mudo. Os circuitos de sua memória funcionavam com a
velocidade da luz procurando a resposta. Mas aquilo não lhe fora ensinado.
Seu rosto ficou vermelho. Começou a suar. Sua temperatura subiu.
E, de repente, seus olhos ficaram muito abertos, parados, e se ouviu um
chiado estranho dentro de sua cabeça, enquanto fumaça saia por suas
orelhas.
Memorioso primeiro travou. Deixou de responder a estímulos.
Depois apagou, entrou em coma. Levado às pressas para o hospital de
computadores, verificaram que seu disco rígido estava irreparavelmente
danificado.
Há perguntas para as quais a memória não tem respostas . É que tais
respostas não se encontram na memória. Encontram-se no coração, onde mora a
emoção...
(Folha de SP, 24/1)
Rubem Alves é educador, escritor e colunista da "Folha de SP", onde publicou este texto:
Era uma vez um jovem casal que estava muito feliz. Ela estava grávida, e
eles esperavam com grande ansiedade o filho que iria nascer.
Transcorridos os nove meses de gravidez, ele nasceu. Ela deu à luz um lindo
computador! Que felicidade ter um computador como filho! Era o filho que
desejavam ter! Por isso eles haviam rezado muito, durante toda a gravidez,
chegando mesmo a fazer promessas.
O batizado foi uma festança. Deram-lhe o nome de Memorioso, porque julgavam
que uma memória perfeita é o essencial para uma boa educação. Educação é
memorização. Crianças com memória perfeita vão bem na escola e não têm
problemas para passar no vestibular.
E foi isso mesmo que aconteceu. Memorioso memorizava tudo que os
professores
ensinavam. Mas tudo mesmo. E não reclamava. Seus companheiros reclamavam,
diziam que aquelas coisas que lhes eram ensinadas não faziam sentido. Suas
inteligências recusavam-se a aprender. Tiravam notas ruins. Ficavam de
recuperação.
Isso não acontecia com Memorioso. Ele memorizava com a mesma facilidade a
maneira de extrair raiz quadrada, reações químicas, fórmulas de física,
acidentes geográficos, populações de países longínquos, datas de eventos
históricos, nomes de reis, imperadores, revolucionários, santos,
escritores,
descobridores, cientistas, palavras novas, regras de gramática, livros
inteiros, línguas estrangeiras. Sabia de cor todas as informações sobre o
mundo cultural.
A memória de Memorioso era igual à do personagem do Jorge Luis Borges de
nome Funes. Só tirava dez, o que era motivo de grande orgulho para os seus
pais.
E os outros casais, pais e mães dos colegas de Memorioso, morriam de
inveja.
Quando filhos chegavam em casa trazendo boletins com notas em vermelho eles
gritavam: "por que você não é como o Memorioso?"
Memorioso foi o primeiro no vestibular. O cursinho que ele freqüentara
publicou sua fotografia em outdoors. Apareceu na televisão como exemplo a
ser seguido por todos os jovens.
Na universidade, foi a mesma coisa. Só tirava dez. Chegou, finalmente, o
dia
tão esperado: a formatura. Memorioso foi o grande herói, elogiado pelos
professores. Ganhou medalhas e mesmo uma bolsa para doutoramento no MIT.
Depois da cerimônia acadêmica foi a festa. E estavam todos felizes no
jantar
quando uma moça se aproximou de Memorioso e se apresentou: "Sou repórter.
Posso lhe fazer uma pergunta?" "Pode fazer", disse Memorioso confiante. Sua
memória continha todas as respostas.
Aí ela falou: "De tudo o que você memorizou qual foi aquilo que você mais
amou? Que mais prazer lhe deu?"
Memorioso ficou mudo. Os circuitos de sua memória funcionavam com a
velocidade da luz procurando a resposta. Mas aquilo não lhe fora ensinado.
Seu rosto ficou vermelho. Começou a suar. Sua temperatura subiu.
E, de repente, seus olhos ficaram muito abertos, parados, e se ouviu um
chiado estranho dentro de sua cabeça, enquanto fumaça saia por suas
orelhas.
Memorioso primeiro travou. Deixou de responder a estímulos.
Depois apagou, entrou em coma. Levado às pressas para o hospital de
computadores, verificaram que seu disco rígido estava irreparavelmente
danificado.
Há perguntas para as quais a memória não tem respostas . É que tais
respostas não se encontram na memória. Encontram-se no coração, onde mora a
emoção...
(Folha de SP, 24/1)
"Sinto-me nascido a cada momento para a eterna novidade do mundo. A última coisa que se pode sentir diante da 'eterna novidade do mundo' é tédio. O pensamento é uma criança que explora essa caixa de brinquedos chamada mundo. Pensar é brincar com os pensamentos." (Rubem Alves)
Assinar:
Postagens (Atom)